Escolher um notebook premium nunca foi tão desafiador. Com preços cada vez mais altos e uma variedade crescente de processadores e configurações, a decisão de compra deixou de depender apenas das especificações técnicas. Hoje, fatores como conforto de uso, qualidade do software e experiência no dia a dia fazem toda a diferença.
O HP OmniBook Ultra ilustra bem esse cenário. O novo notebook topo de linha da HP reúne hardware poderoso, construção refinada e uma das melhores telas da categoria. No entanto, algumas escolhas de design e software impedem que ele seja uma recomendação incontestável.
Construção premium e desempenho de sobra
A HP acertou em cheio na qualidade de construção. O OmniBook Ultra utiliza um chassi totalmente em alumínio, transmitindo uma sensação de robustez sem abrir mão da leveza. O equipamento é fino, elegante e fácil de transportar, características que ficaram evidentes durante os testes realizados na Computex 2026, em Taipei.
O grande destaque é a tela OLED de 14 polegadas. Nas versões mais completas, o notebook oferece resolução de 2880 × 1800 pixels, taxa de atualização de 120 Hz, cobertura integral da gama DCI-P3, pretos profundos e brilho próximo de 500 nits em conteúdos SDR. O resultado é uma excelente experiência tanto para produtividade quanto para consumo de mídia, competindo diretamente com modelos mais caros.
Sob o capô, a configuração mais avançada vem equipada com o Intel Core Ultra X9 388H, o processador móvel mais potente da fabricante até o momento. O chip trabalha em conjunto com uma GPU integrada Intel Arc de 12 núcleos, suficiente para executar tarefas pesadas e até mesmo alguns jogos sem a necessidade de uma placa de vídeo dedicada.
A autonomia de bateria também se destaca, assim como o carregamento rápido disponível em diversas configurações. O pacote é complementado por recursos de segurança avançados, como BIOS com recuperação automática e leitor de impressão digital integrado ao botão de energia.
Preço competitivo diante da concorrência
Apesar de não ser um notebook barato, o OmniBook Ultra consegue oferecer uma boa relação entre preço e desempenho dentro do segmento premium.
A versão mais completa, equipada com Core Ultra X9 e SSD de 2 TB, custa cerca de US$ 2.400. Embora o valor seja elevado, ele ainda fica abaixo de concorrentes diretos, como o Dell XPS 14 configurado com especificações semelhantes, que ultrapassa os US$ 3.000.
Para quem busca uma opção mais acessível, a linha também conta com versões de entrada a partir de aproximadamente US$ 1.200, utilizando processadores menos potentes, mas mantendo boa parte da qualidade de construção.
Pequenos detalhes que fazem diferença
O hardware impressiona, mas alguns aspectos da experiência de uso deixam a desejar.
O teclado, apesar de confortável para longos períodos de digitação, apresenta teclas com resposta mais macia do que muitos usuários esperam em um notebook dessa categoria. A sensação lembra a de alguns modelos da Apple, mas pode desagradar quem prefere um retorno mais firme e preciso.
O trackpad de vidro com tecnologia háptica divide opiniões. Em vez de utilizar um clique mecânico tradicional, ele simula o acionamento por meio de vibrações. Embora funcione de maneira consistente, nem todos os usuários apreciam esse tipo de resposta, e alguns avaliadores consideraram sua experiência apenas satisfatória quando comparada aos melhores concorrentes.
Outro ponto discutível é a seleção de portas. O OmniBook Ultra aposta em um design minimalista com três portas USB-C Thunderbolt 4 e uma entrada para fones de ouvido. Para quem já utiliza exclusivamente acessórios USB-C isso não representa um problema, mas usuários que ainda dependem de USB-A ou leitores de cartão precisarão recorrer a adaptadores.
Bloatware prejudica a experiência inicial
A crítica mais frequente, porém, não envolve o hardware, mas sim o software instalado de fábrica.
Logo na primeira utilização, o notebook apresenta uma quantidade significativa de aplicativos pré-instalados, incluindo programas da própria HP, versões de teste do McAfee e diversos softwares adicionais da Microsoft. Entre eles está até mesmo um aplicativo de gerenciamento de impressoras, algo pouco justificável em um notebook voltado para produtividade premium.
Esse excesso de programas gera notificações constantes e exige que muitos usuários gastem tempo removendo aplicativos desnecessários antes de aproveitar plenamente o equipamento. Trata-se de uma prática mais comum em notebooks de entrada e que causa estranheza em um modelo posicionado entre os mais caros da HP.
Vale a pena comprar?
Isoladamente, nenhum dos pontos negativos chega a comprometer o HP OmniBook Ultra. O teclado mais macio, o trackpad háptico e a quantidade reduzida de portas são características que muitos usuários podem aceitar sem grandes dificuldades.
O problema é que todas essas pequenas limitações se acumulam. Somadas ao excesso de softwares pré-instalados, elas reduzem a sensação de refinamento que se espera de um notebook vendido por mais de US$ 2.000.
Ainda assim, o OmniBook Ultra continua sendo uma das opções com melhor custo-benefício entre os notebooks premium com Windows, principalmente quando comparado ao Dell XPS 14. Sua excelente tela, desempenho de ponta e preço mais competitivo tornam o modelo bastante atraente.
Por outro lado, quem valoriza uma experiência impecável desde o primeiro uso, prefere um teclado mais preciso, necessita de maior variedade de conexões ou simplesmente não quer perder tempo removendo programas indesejados talvez deva considerar esses fatores antes de tomar a decisão de compra.



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